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21.5.11

Nas Bancas: De 10/05 a 19/05


 Mais uma vez estou vindo aqui não para postar as matérias planejadas (mas que me consumiriam um tempo que não ando tendo). Em vez disso, inicio mais uma nova seção do blog, a "Nas Bancas".

Como o título sugere, as postagens dessa seção serão destinadas aos lançamentos de mangás que ocorrerem dentro do período destacado. A intenção era ter periodicidade semanal, mas como o tempo nem sem deixa, resolvi escrever a cada 10 (dez) dias.

Pra que essa seção? Bom, apesar dos checklists divulgados pelas editoras alô NewPOP e Conrad informarem o que sairá em determinado mês cof cof cof, nem sempre sabemos quando esses mangás chegarão de fato às bancas. Podem haver atrasos, adiantamentos, remanejamentos ou qualquer outro fator e isso geralmente nos faz dar "boas" idas e vindas às bancas. E eis a função (ou uma delas) dessa seção!

Dito isso, vamos ao que interessa!

 
SABER MARIONETTE J #02
Mangakás: Satoru Akahori e Yumisuke Kotoyoshi
Total de volumes: 05 
Gênero: Shounen - Aventura, Comédia, Ecchi
Editora: JBC Mangás
Formato: Tankobon, 13,5 x 20,5 cm 
Periodicidade: Mensal
Preço: R$ 10,90



Eis aqui o mais novo lançamento da Editora JBC! Chegando às bancas no mês de abril, "Saber J" é um dos poucos "mangás clássicos" publicados recentemente no mercado brasileiro, e que veio para atender aos clamores de toda uma geração (que teve acesso ao anime exibido na extinta Locomotion). Talvez seja um título com um baixo número de vendas, mas que serve para chamar a atenção de uma parcela importante do público.

Apesar de não gostar muito dos gêneros dessa obra, e deixando de lado o meu fandom para com os títulos da década de 90, acho bem interessante por envolver sutilmente várias outras questões do mundo real.

Primeiro, tem a questão da homossexualidade. Não, não é nenhum yaoi, BL ou shounen-ai. Mas como a estória se passa num mundo onde não existem mais mulheres, o normal é que haja algum tipo de relação entre homens. Entretanto, e é importantíssimo destacar, este fato é apenas mencionado (e logo no primeiro volume) no mangá, nada mais é mostrado nessa questão.

Por se tratar de um mangá shounen, o autor logo direciona-nos a um rapaz que é excessão ao pensamento dominante na época: ele não sente atração por homens, muito pelo contrário, ele é "apaixonado" por um retrato da... bom, como seria spoilerZÃO revelar, digamos apenas que é o retrato de uma mulher!

E isso é o maior tormento para o seu vizinho e amigo Hanagata, uma das partes cômicas da história, que tenta a todo custo dar uns pegas no pobre (literalmente xD) Otaru (protagonista). As coisas só fazem piorar pra Hanagata quando as 3 (três) marionetes, Lime, Cherry e BloodBerry entram na vida do nosso protagonista...


Em segundo, temos o plano de fundo do mangá, as relações políticas. A história começa num planeta chamado Terra II, que foi dividido em 6 (seis) nações. Anos após essa divisão, a nação comandada por Fausto, Gartlant, quer conquistar todas as demais, a fim de unificar o planeta. É aí que entram Otaru e as "Garotas Marionetts" para atrapalhar os planos do ditador...

Considerando o que li até agora (volume 1) e o que lembro do anime, ainda há muita coisa por trás dessa estória e é o que dará certo charme ao enredo.

Temos, ainda, a questão do papel da mulher na sociedade. Ressalto que o mangá tem quase 2 (duas) décadas e que este tema não estava tão "resolvido" como hoje. Enfim, é através das marionetes (no mangá todas são "mulheres") - utilizadas para afazeres domésticos ou para satisfazer os desejos de seus mestres - que os mangakás tentam criticar tal  imagem de subordinação.

Como ja dito, tudo é discutido de forma camuflada, de modo que o leitor sem uma percepção crítica sobre a obra deixaria tudo isso passar, principalmente aqueles distraidos com os peitos seios, tá, eu sei em várias páginas do mangá.

A história, ao que parece, será um pouco corrida, mas todos os personagens que têm alguma influência na trama devem ter algum desenvolvimento. Mesmo com todo o fanservice, ecchi e, às vezes, um pouco de comédia forçada (lembre-se de quando a obra foi feita...), eu recomendo a leitura do mangá Saber Marionette J e, se possível, que vocês assistam aos animes (Saber J e Saber J to X)!
 
Desculpem ter me alongado tanto, mas como não encontrei resenha recente com pontos de vista semelhantes aos meus, preferi deixar bem claro o que acho da obra. Provavelmente, a cada novo "Nas Bancas" eu escolherei um título para falar mais detalhadamente sobre.


GA-REI #03
Mangaká: Hajime Segawa
Total de volumes: 12
Gênero: Shounen - Sobrenatural, Ação, Drama, Ecchi
Editora: JBC Mangás
Formato: Tankobon, 13,5 x 20,5 cm 
Periodicidade: Mensal
Preço: R$ 10,90


TSUBASA RESERVOIR CHRONICLES #52
Mangaká: CLAMP
Total de volumes: 56
Gênero: Shounen - Mistério, Ação, Fantasia, Romance
Editora: JBC Mangás
Formato: Meio-tankobon, 12 x 18 cm 
Periodicidade: Mensal
Preço: R$ 6,90

 
 ROCKIN' HEAVEN
Mangaká: Mayu Sakai
Total de volumes: 08
Gênero: Shoujo - Romance, Escolar
Editora: Panini - Planet Mangá
Formato: Tankobon, 13,7 x 20 cm 
Periodicidade: Bimestral
Preço: R$ 9,90



D.GRAY-MAN #16
Mangaká: Katsura Hoshino
Total de volumes: 21+
Gênero: Shounen - Aventura, Ação
Editora: Panini - Planet Mangá
Formato: Tankobon, 13,7 x 20 cm 
Periodicidade: Bimestral
Preço: R$ 9,90




RANMA 1/2 #20
Mangaká: Rumiku Takahashi
Total de volumes: 38
Gênero: Shounen - Comédia, Romance
Editora: JBC Mangás
Formato: Tankobon, 13,5 x 20,5 cm 
Periodicidade: Mensal
Preço: R$ 10,90



SAINT SEIYA - THE LOST CANVAS #21
Mangakás: Masami Kurumada e Shiori Teshirogi
Total de volumes: 22+
Gênero: Shounen - Aventura, Ação
Editora: JBC Mangás
Formato: Tankobon, 13,7 x 20 cm 
Periodicidade: Bimestral
Preço: R$ 12,90



GEN - PÉS DESCALÇOS #01
Mangaká: Keiji Nakazawa
Total de volumes: 10
Gênero: Bibliográfico, Drama
Editora: Conrad
Formato: Tankobon, 14 x 21 cm 
Periodicidade: ---
Preço: R$ 24,90



Apenas uma observação antes de finalizar o post. Devido à inconstância na distribuição na maioria das editoras, estou levando em conta a "Fase 01", que engloba os estados de São Paulo e Rio de Janeiro e as capitais das Regiões Metropolitanas.


19.5.11

Tsunami: Do Japão ao Brasil



Há pouco mais de 2 (dois) meses nós "presenciamos" uma das maiores catástrofes naturais do século XXI, o Tsunami que devastou quase todo o litoral japonês. 

Que tal acontecimento traria implicações sérias para a economia mundial, inclusive para a brasileira, todo mundo já sabia. E quem acompanha o lançamento de mangás aqui no Brasil já está vendo algumas dessas consequências (atrasos na renovação de contratos, na aprovação de capas e, talvez mais a frente, um aumento de preço).

Dentre tantas possibilidades para falar sobre esse tema, escolhi justamente uma notícia divulgada ontem nas principais mídias jornalísticas nacionais. Por que? Bem, além de conciliar meu interesse em economia e no Japão, envolve a produtora de carros que mais admiro.

 
"Em função dos desastres naturais ocorridos no Japão, no início de março, diversos fornecedores de componentes eletrônicos, que não podem ser substituídos facilmente, tiveram sua produção afetada. Com isso, o envio de peças para diversos países, inclusive o Brasil, foi prejudicado."


Este é parte do comunicado da montadora de automóveis Honda, localizada em São Paulo, anunciado no último dia 18 (ontem, quarta-feitra), e que oficializa a demissão de 12% do quadro de funcionários (equivalente a 400 trabalhadores). Apesar do número de demissões, a montadora ainda "segurou" cerca de 800 funcionários, que ficarão ociosos até o reabastecimento dos equipamentos necessários à produção.

Com o corte, a produção será reduzida em cerca de 50%, atingindo uma produção média de 300 automotivos por dia. Esta unidade (em Sumaré) é responsável pelo abastecimento dos modelos Civic, City e  Fit.

 
"A partir de junho, a empresa  terá de reduzir em 50% sua produção de automóveis, de 600 para 300 unidades diárias. Com isso, a unidade de Sumaré, que atualmente opera em três turnos, passará a trabalhar em dois turnos, e esta situação acarretará na ociosidade de aproximadamente 1,2 mil colaboradores."

Fora isso, a Honda deverá confirmar nos próximos dias a antecipação da parada para manutenção, que ocorre 2 (duas) vezes ao ano, em julho e em dezembro, para o mês de maio e junho - de 23/05 a 03/06.

Essa antecipação será devido à falta de componentes eletrônicos, em sua maioria, importada do Japão. Embora haja uma relativa baixa participação desses componentes na montagem dos produtos destinados ao mercado nacional - cerca de 30% para o Civic e 20% para o City e Fit -, ítens como transmissão automática e injeção eletrônica elencam a lista de desabastecidos.

Entretanto, segundo a própria Honda, a quantidade em estoque será o suficiente para manter o mercado nacional abastecido durante o período de pause até o restart da atividade produtiva.

E como nem tudo é tragédia, já está confirmada a produção e o lançamento, para o 2º (segundo) semestre, do Novo Civic 2012! Há rumores, ainda, de um novo modelo (?) que só será lançado no próximo ano.

===

Yo, pessoas! Apesar dessa postagem ser bem descritiva, o objetivo dela é "discutir" (mostrar, na verdade) um pouco dos efeitos pós-tsunami sobre a economia, sobretudo, brasileira. E a Honda é um bom estudo de caso nesse sentido.

16.5.11

Perspectiva do Mercado Otaku Nacional

 
Yo! Depois de algum tempo sem postar nada aqui no blog, volto "apenas" para iniciar uma nova seção: Merchan. A seção terá como objetivo (auto-explicativo, por sinal) promover causas que considere pertinentes, além de algum "produto" que me agrade (bandas, livros, eventos, entre outros). 

Vamos ao que interessa!

Fazendo algo, admito, que há tempos tinha deixado de lado (vasculhar as news fora-do-topo dos blogs), encontrei algo valioso para o fortalecimento do ~mundo otaku~ aqui no Brasil. Está sendo realizada uma pesquisa sobre o quanto nós, brasileiros, apoiaríamos uma iniciativa nacional nesse meio (animes, mangás etc.).

Como não poderia de ser, tendo em vista que esta pesquisa une meus maiores interesses - economia e cultura japonesa -, dedico este post à causa e peço que TODOS VOCÊS PARTICIPEM! Além disso, ajudem a divulgar. Leva apenas alguns segundos. Basta clickar em cada símbolo das redes sociais lá no final dessa news.

Deixo a copia fiel do post do Papo de Budega, da Sandra Monte:

Navegantes,
Diversos estudos sobre mangás e animes têm proliferado pelo Brasil. Espero que esta positivo, pois precisamos, enfim, analisarmos nossa situação por nós mesmos. E uma das pesquisas é de Dani Israel em seu site. É uma pesquisa sobre o mercado audiovisual e o universo do J-POP no Brasil. Contribuam e deixem seus comentários lá. É bem rapidinho... E não precisa deixa nem CPF e nem RG, hehehehe! É isso aí! E só para constar, Dani é diretora e produtora executiva na Bactéria Filmes. Quem sabe não role um anime brazuca pela frente... Não custa sonhar sonhos possíveis... ^__^x

 Interessados? Então não deixem de divulgar!
http://daniisrael.bacteriafilmes.com/?p=123

Veja também...

7.5.11

Otakus, o que vem por aí?! Mangás

Mangá Store, Japão.

Será que o mundo acaba realmente em 2012??? Eu não sei, mas parece que as editoras nacionais estão apostando forte nesse palpite! rsrs

Brincadeiras à parte, a verdade é que 2011 será um ano de bastante bonança para os otakus que colecionam mangás lançados nacionalmente. Seja devido às finalizações e/ou paralizações de vários títulos, ao aniversário de uma década e/ou, ainda, ao próprio crescimento do mercado setorial (de mangás) no Brasil, o fato é que já temos várias novidades engatilhadas pra tudo que é lado.

  • Parabéns, JBC!
Em 2001, a Editora JBC entrou no mercado nacional de mangás com a publicação dos títulos Samurai X (Rurouni Kenshin, título original) e Card Captors Sakura, ambos no mês de maio daquele mesmo ano, aproveitando o embalo da exibição do anime deste último (CCS) e o fim recente da exibição daquele (Samurai X) na TV aberta brasileira (aka Rede Globo). Contudo, a empresa Japan Brazil Comunication tem suas origens ainda no século passado!

Sempre investindo em títulos mainstream ou de maior apelo ecchi e, mais recentemente (2010), adotando o selo Graphic Novel (cujo material é destinado às livrarias e lojas especializadas, e que apresenta um acabamento físico bem superior ao padrão da editora), a JBC é, até o presente momento, a única editora "sênior" de nosso mercado que não cancelou a publicação de algum de seus títulos e que mantém uma periodicidade exemplar (ou próxima disso). Entretanto, também é aquela que mais recebe críticas quanto à adaptação textual (excesso de gírias, "descaracterização" etc).

E o que tudo isso tem de importante para estar na seção Otakus, o que vem por aí?!...? Eu respondo: em 2011 a JBC comemora 10 (dez) anos de participação no segmento de mangás! E, para comemorar, a editora divulgou que lançaria dez mangás ao longo deste ano!!!

     

Claro que já temos alguns dos prometidos em bancas, como Code Geass (janeiro), Summer Wars (fevereiro), Ga-Rei (março) e Saber Marionette J (abril). Mas, justamente no mês que a JBC comemoraria uma década desde que o seu primeiro mangá foi publicado no Brasil, e que a maioria dos fãs esperavam alguma novidade "bombástica", ela lança... simplesmente nada! Ainda assim, vale conferir o que a editora coloca nas bancas esse mês de maio!

Infelizmente, nenhum outro título foi divulgado até o momento. Resta-nos esperar mês a mês para ver o que a JBC está planejando trazer em termos de mangás. Aliás, houve boatos a respeito do relançamento de Neon Genesis Evangelion pelo selo Graphic Novel... e como recentemente a edição "atual" (meio-tanko, respeitando os moldes da antiga publicação do título pela Editora Conrad) encostou com a edição japonesa, talvez (e assim eu espero) que esta possa ser uma das surpresas da JBC ainda para esse ano!

  • Surpresas da Panini!
Enquanto todo mundo ou estava à espera das novidades que a JBC poderia trazer neste ano de 2011 ou frustrados por Code Geass e Saber Marionette J estarem atrasados (prometidos para 2010), a Panini Comics saiu na frente realizando a primeira divulgação de novos títulos do ano!

Antes de seguirmos mais adiante, uma breve descrição. A Panini Comics é uma empresa multinacional que iniciou suas atividades no Brasil em 1989, estabelecendo-se no estado de São Paulo. Só em agosto de 2002 seria "criado" o selo Planet Mangá, com a publicação do mangá Gundam Wing. Já em 2003, a Panini publicou os títulos Éden e Pech Girl, títulos que futuramente foram cancelados (e se tornaram umas pedrinhas no sapato da editora, rs). Numa comparação simples, a Panini parece ser o inverso da JBC.

   

A primeira leva de mangás anunciados já foram, pelo menos os primeiros volumes, lançados em bancas, como é o caso de Astral Project (4 volumes, e lançando), Bem-Vindo A NHK (Welcome To NHK, 8 volumes, e lançando), Voice Of A Distance Star (Hoshi No Koe, único, concluído) e Contos de Amor Para Você (Otogibanashi Wo Anata Ni, 2 volumes, concluído). Outro mangá anunciado recentemente, mas que acabou de ser publicado, é o shoujo hit Kimi Ni Todoke (13+ volumes, e lançando).

Como o primeiro trimestre já passou, a Panini também providenciou novos títulos que, por sinal, esquentaram as expectativas para os lançamentos da segunda metade do ano! Mas vamos ao que interessa... até o momento, foram divulgados mais seis títulos, sem data prevista para chegar às bancas: Darker Than Black (2 volumes), 07-Ghost (10+ volumes), Kaichou Wa Maid Sama (12+ volumes), Basilisk (5 volumes), Zone-00 (8 volumes) e Air Gear (31+ volumes).

Apesar de tantos mangás já divulgados, em se tratando da Panini, é melhor não criar tantas esperanças quanto a data de lançamento. É bem provável que todos esses 6 (seis) saiam até julho, mas não dá pra confiar muito... rs!

       

Um fato curioso aqui é que Air Gear é uma obra de Oh! Great, mangaká responsável por Tenjho Tenge, mangá ainda em publicação por aqui pela JBC. Ainda mais curioso é o fato de este ser o não ser o primeiro mangaká que a Panini consegue "roubar" da JBC. Aconteceu também com as mangakás de Fruits Basket (JBC) quando a Panini publicou As Estrelas Cantam (Hoshi Wa Utau), e de Fullmoon (JBC), quando tivemos a publicação de The Gentlemen's Doumei Cross (Shinshi Doumei Cross), ambos no ano de 2010.



  • NewPOP, dá pra confiar?
Entrando no mercado nacional de mangás apenas em 2007, com a publicação dos títulos 1945 (mangá) e Tarot Café (manhwa), a Editora NewPOP é aquela que todo mundo faz bullying chama de "editora novata". Podemos classificá-la como a que possui maior contato com o público e com a melhor qualidade física em seus produtos, contudo, as edições e algumas adaptações são meio tendenciosas à JBC suspeitas... Apesar disso, como um todo, eu a considero como boa.

Salve engano, também foi a NewPOP a trazer a primeira light novel japonesa ao Brasil (apesar de achar que a Conrad teve esse privilégio...) e, inclusive, com uma temática yaoi (Gravitation). Nesse mesmo caminho, ha pouco menos de um mês, a editora publicou o primeiro yaoi com cenas explícitas em território nacional, atendendo uma lacuna crescentemente demandada (agora resta ver se vendeu...).

Desde o ano passado (2010), foram divulgados vários futuros lançamentos (tão futuros que até agora não saíram, rs) no Anime Friends. Recentemente, o editor-chefe e dono da editora divulgou em nota oficial no Orkut que pelo menos 3 (três) deles já estão completamente "produzidos" - Drug-On (5 volumes), Red Garden (4 volumes) e Made in Heaven (2 volumes) -, restando apenas a aceitação das capas por parte dos japoneses (e a vontade da NewPOP de lançar). Com a finalização de Hollow Fields e a, em breve, paralização de Hetália (por encostar na edição japonesa), tudo indica que veremos esses títulos (ou alguns deles) nas bancas ainda esse ano.

   

Mas essas não são as únicas novidades da Editora NewPOP! Além dos títulos Amar e Ser Amado (Aishi Asare [Aisare], único), Figure Maker (único) e o nacional Hansel & Gretel (?), a editora surpreendeu a todos com o lançamento (talvez ainda este ano) da mais recente obra do grupo CLAMP, Gate 7! Agora é esperar e ver quando essa enxurrada de mangás chega às bancas nacionais!

  • Conrad, ela ainda existe?
 Criada em 1993, a Editora Conrad ela foi responsável pela Revista Herói, um dos maiores sucessos otaku da década de 1990. Em 2001, ela entrou no ramo dos mangás , com a publicação das febres mundias Cavaleiros do Zodíaco e Dragon Ball, que hoje são tidos como "clássicos", sobretudo aqui no Brasil. Daí pra frente, a Conrad avançou com bastante êxito no mundo dos mangás, trazendo séries populares e outras mais underground para o público brasileiro e, acima de tudo, com uma qualidade em tudo (material físico, edições, adaptações etc.) que ainda não é possível encontrar hoje no mercado.

Infelizmente, a Conrad passou por um processo doloroso que culminou na sua quase extinção no mundo dos mangás. Entretanto, há poucos dias, a editora se pronunciou oficialmente e divulgou o que poderá ou não voltar a ser publicado por ela aqui no Brasil. Depois de tantas "falsas esperanças" dadas nesses 3 (três) longos anos, será que dá pra acreditar? Vamos lá no Chuva de Nanquim saber mais sobre isso!

E o que é importante nisso tudo? Segundo esas fontes, teremos ainda esse ano a volta dos mangás Cavaleiros do Zodíaco Episódio G (que agora deve vim como Saint Seiya Episódio G), no primeiro semestre, e Battle Royale, no segundo semestre. Além disso, acho que desde 2009 que a Conrad insiste na notícia que o título Nausicaä ainda seria publicado pela editora e, mais recentemente, que isto aconteceria em 2011!

   

Talvez o maior problema de muitos desses mangás seja referente a aqueles que se desfizeram de suas coleções ou para os novos colecionadores para achar os volumes anteriores. Bem, talvez, né? Muito provavelmente a Conrad deve ter um bom estoque de cada título para alimentar as bancas e as lojas especializadas. *Cruza os dedos*

  • Outros lançamentos (editoras diversas)
Por fim, listo bem rapidinho o lançamento de outros mangás por editoras não tão conhecidas neste segmento. Cada destaque terá um link para uma notícia mais completa em algum outro canto da internet, ok? ;)

O Selo Record divulgou que lançará 5 (cinco) títulos baseados nas histórias de Shakespeare: Romeu e Julieta, Hamlet, A Tempestade, Ricardo III e Sonhos de Uma Noite de Verão. Todos serão destinados exclusivamente às livrarias e estão sem data prevista.

Já a L&PM, famosa por seus livros de bolso, anunciou que no segundo semestre também expandiria seu acervo às histórias em quadrinhos japonesas. Aqui teremos os títulos Bouken Shounen (Adventure Boys), volume único, e Solanin, série em 2 (dois) volumes.

 

Inovadora de certa forma, a Ação Magazine deverá ser lançada em breve com o intuito de ser uma antologia de mangás nacionais. Trata-se de uma revista que reunirá vários capítulos de vários mangás em suas publicações, nos moldes editoriais japoneses. Mesmo que sem uma data definida, as 6 (seis) primeiras histórias da Ação magazine já estão definidas: Rapsódia, de Fábio Satoshi Sakuda e Carlos Sneak, Expresso, de Alexandre Lancaster, Jairo, de Michele Lys, Madenka, de Will Walber, Arcabuz, de Márcio Gonçalves e Roberta Pares Massenssini, e Tunado, de Maurílio DNA e Victor Strang. Mais informações sobre a antologia e sobre cada capítulo você encontra no Jbox.

  • Comentários
Espero que esse primeiro "guia" não tenha ficado tão chato de se ler! xD
Conforme a JBC for divulgando as novidades mensalmente, eu também vou adicionando ao post. O mesmo serve para a Panini, já que não dá pra saber de verdade o que vai sair nos próximos meses.

Também tem interesse em DVDs e BluRays de animes? Conheça tudo o que está para chegar no Brasil!

Abs!

28.4.11

Preço Justo: Para quem?

Antes de começar a debater um pouco das questões econômicas (deixadas de lado, vale destacar) envolvidas no tema deste post, gostaria de salientar que tentarei resumir, enxugar, ao máximo o conteúdo, visto que per se trata-se de uma questão bem ampla. Então, qualquer dúvida ou crítica a alguma passagem do texto, por favor, peço que deixe de forma clara e educada nos comentários que tentarei esclarecê-las dentro de minha perspectiva do assunto.

Dito isto, vamos ao que interessa!

Na madrugada entre esta quarta-feira (27) e quinta-feira (28), estourou no Twitter (ou pelo menos na minha timeline) vários tweets com a hashtag #PrecoJusto pedindo apoio à campanha homônima. Procurando a fonte dessa campanha, acabei encontrando o vídeo responsável por toda essa movimentação no microblog. 

Minha primeira impressão foi exatamente a que o blog Mais de Oito Mil iniciou sua postagem sobre o assunto: que "porra" é essa?! Devo destacar que a exclamação não foi (apenas) acerca do conteúdo discutido, mas a forma que se buscou tansmitir a mensagem. Mas enfim, este é o fator de menor importância no decorrer do post.

Mas, do que se trata a tal Campanha do Preço Justo? Segundo o site oficial, "tem o objetivo de enviar para Brasília a nossa insatisfação e revolta. Nele, basta você assinar com seu nome, email e CPF que nós tomaremos todas as medidas necessárias para que enxerguem nossa manifestação e, assim, possamos sair da Internet para conseguirmos uma lei". Ou seja, ao menos nessa primeira parte, não há proposta alguma sendo esclarecida ao público, muito menos indicando quais medidas estão sendo defendidas. Então, como saber se o manifesto é do seu interesse? E, além disso, informar TODOS os seus dados (afinal, é isso que o CPF contém) como pessoa física sem que o site seja, pelo menos, reconhecido como seguro pelo navegador? Não, obrigado.

Mais especificamente, pretende-se barganhar uma espécie de isenção fiscal (não cobrança de tributos) sobre "produtos de mídia e eletrônicos como DVD’s, BluRays, Videogames, Jogos, iPads, iPhones, iPods e tantos outros exemplos". É isso que a campanha chama de "informação sem imposto". Mas algo me parece errado: nenhum dos ítens citados podem ser considerados como produtos "de base" (ou necessários) para se conseguir informação, no sentido mais rigoroso da palavra. Todos aqueles bens fazem parte da categoria "produtos de luxo". Aliás, DVDs e BRs, que talvez não possam entrar nesta última categoria, são bastante acessíveis até para as classes menos favorecidas, onde a parcela cabe no orçamento sem grandes problemas... e eis de onde veio um dos problemas recentes com a inflação.

Agora vamos esclarecer algumas coisas não ligadas aos tributos, por ora. Primeiro, é sabido que o "garoto propaganda" da campanha é patrocinado por algumas empresas. Como pode ser visto no blog ImprenÇa, e no próprio site do #PreçoJusto, há um jornal eletrônico destinado apenas a notícias para Ipad por trás da campanha. E isto já diz MUITO sobre o movimento em si. Segundo, já existe uma lei de incentivos a produtos de informática, conhecida como Lei da Informática, aprovada em 2004 para perdurar por 15 anos, ou seja, até 2019! E a abstenção de tributos (federais) sobre esses ítens chega a até 95% do valor que seria pago. Quem não tiver paciência para ler a lei em si, sugiro este e este sites para uma boa compreesão do que ela trata. 

Por último, temos ainda o locus político que esta campanha atinge: a classe média. Esta diretriz fica óbvia ao se observar que os ítens de "acesso às informações" não são aqueles tradicionais (computadores, notebooks, internet banda larga etc.), mas o desejo de consumo da classe média brasileira que "rala" para poder comprá-los, diferentemente da classe baixa que não tem condições para tal ou dos ricos, para quem o valor destes produtos são irrisórios. E isto é importante? Sim, afinal, o Governo vai querer favorecer à classe média em detrimento dos pobres?

Contudo, devo deixar claro que considero importante a manifestação social por um motivo comum, desde que objetive-se um bem maior para a população brasileira e não apenas para um nicho, quer social ou empresarial.

  • Teoria Econômica da Tributação, por Diamond e Mirrlees
 Há poucos dias, curiosamente, o polêmico economista Paul Krugman publicou no blog do Estadão uma opinião que considerei acertada, mas que nunca pensaria em citá-la em algum texto. Pensei errado. Para iniciar a discussão sobre impostos e contribuições é importante que tenhamos em mente que "eles [os tributos] não existem principalmente como maneira de induzir um menor consumo privado, embora às vezes tenham esse efeito; eles estão aí para assegurar a solvência do governo".

Dado este esclarecimento e considerando que o fato da existência de financiamento de um governo, per se, gera distorções no sistema econômico, reduzindo-se a eficiência, deixe-me esclarecer a base do modelo teórico sobre tributação ótima. De acordo com o modelo de D&M, a "estrutura de tributação ótima resultante é aquela em que os bens consumido de forma intensiva pelos agentes mais pobres devem ter uma redução prporcional na demanda menor que a média ... devido ao grau de preocupação da sociedade com os agentes mais pobres e às diferenças entre os padrões de consumo entre ricos e pobres". Sintetizando, os bens mais consumidos pelas famílias de baixa renda devem ser tributados menos intensamente e, por analogia, os bens de luxo (e ainda aqueles de menor sensibilidade aos preços) devem ser tributados de modo mais intenso.

Se os tributos não incidirem sobre o consumo mais supérfulo, sobre o que Governo deve coletar sua receita? Tributando a cesta básica?! Acredito que não.

  • Noções de Financiamento Público
A Constituição brasileira em vigor define as competências tributárias para cada ente da federação do Brasil (união, estados, Distrito Federal e municípios), bem como a "dependência tributária" hierárquica de cada um desses entes. Assim, é importante saber quem tributa o quê, e quem fica com a receita de determinado tributo.

Partindo da hierarquia máxima, temos a União. Este ente é responsável pela arrecadação do Imposto de Renda (IR), do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), dos Impostos de Importação (II) e de Exportação (IE), do Imposto sobre Território Rural, (ITR) da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL), da COFINS e do PIS/PASEP. 

Como já dito anteriormente, a "Lei da Informática", em média, reduz a receita do IPI, PIS, PASEP e COFINS em mais de 80%. Nesse sentido, temos ainda que a União é obrigada a repassar 44% do IPI e 44% do IR para estados (21,5%) e municípios (22,5%), bem como o ITR é repassado integralmente a estes entes (50% para cada), enquanto que parte do IOF (70% do IOF-Ouro) é repassado apenas para os municípios.

De forma análoga, os Estados são responsáveis pela arrecadação do ITBD, do ICMS e do IPVA, tendo por obrigação repassar aos municípios 25% do ICMS, 50% do IPVA e 25% do IPI referente à exportação recebido da União. Já os municípios têm competência de arrecadação do IPTU, do ISS e do ITBI.

Esta seção tem por objetivo mostrar que uma desoneração tributária em setores cujos produtos podem ser considerados de baixa necessidade acarretará fenômenos em cascata, prejudicando o desempenho (muitas vezes já precário) de estados e municípios. E isto se refletirá na oferta dos serviços públicos diretos, como saúde, educação, assistencialismo, segurança, transporte, abastecimento de água e esgoto, além dos investimentos em infraestrutura, qualidade de trabalho interno do setor público, e flexibilidade em dar incentivos aos setores realmente importantes.

  • Comentários Finais
Em economia há sempre uma escolha a ser feita (trade-off), geralmente rondando entre a eficiência e a equidade. Para conseguirmos isentar certos produtos de tributos há a necessidade de se procurar outra fonte de financiamento para o setor público. Mas será que essa nova "fonte de renda" do Governo é socialmente aceita?

Esta campanha é a melhor solução? Ao invés de uma manifestação que levará assinaturas eletrônicas para tão longe do espaço político de atuação de cada cidadão, porque não incentivar a  cobrança de mais e melhores  ofertas de bens públicos, garantidos pela lei-mor do país? Instrumentos nós temos: o pagamento de impostos e de taxas de serviços públicos, bem como a liberdade de escolha de nossos líderes graças à democracia.

Contudo, se após tudo aqui discutido o desejo de reivindicação ainda for o mesmo, deixo de lembrança uma frase famosa entre os estudantes, professores e pesquisadores em economia do setor público e que resume todo esse post:

"Não existe almoço grátis".

25.4.11

Otakus, o que vem por aí?! DVDs


 Antes de tudo, uma nota de esclarecimento: não vou aqui me ater às novidades do Japão. Este tipo de post vai se dedicar quase unicamente aos lançamentos nacionais de animes, mangás, dvds e afins. Para não ficar um texto muito longo, hoje vamos falar sobre o que pesa mais no bolso: DVDs de animes!

Mesmo após a decepção com o lançamento do quarto e último box de Fullmetal Alchemist, onde os episódios que deveriam ser "originais" (aka. sem censura) foram trocados "sem querer" por aqueles distribuídos para as TVs aberta e por assinatura, muitos otakus¹, assim como eu, ainda esperam diversos lançamentos prometidos aqui no Brasil!

Para começar, temos talvez aquele de maior vendagem por aqui, os dvds da segunda temporada de Saint Seiya: The Lost Canvas! No Japão, os DVDs e Blu-Rays começaram a ser vendidos em fevereiro deste ano, devendo se estender até junho ou julho. Já aqui no Brasil, o lançamento só deve ocorrer no segundo semestre, seja devido aos possíveis atrasos causados pelos desastres recentes lá no Nihon ou pelo processo de dublagem e preparação em geral da FlashStar. Abaixo vocês podem conferir as capas japonesas dos volumes individuais.

 
 

Falando em CdZ, vocês sabiam que no final do mês passado, mais precisamente no dia 30 de março, foi lançado o especial Os Cavaleiros do Zodiaco – O Mito dos Cavaleiros Renegados? O release é referente à Saga de Hades da versão clássica, e nos traz um resumo dos acontecimentos na visão dos cavaleiros de ouro. Nada de novidade, mas para quem é fã ou apenas curte o anime, desde que não pese tanto no bolso, sempre é bom deixar a coleção bem completa! Confira os encartes da edição brasileira (box + dvds)!

 

Outro anime de grande sucesso que já deu as caras por aqui - que, assim como Cdz, "criou" uma geração de otakus - e está só esperando um novo lançamento é Neon Genesis Evangelion. Em 2010, a Paris Filmes lançou o primeiro de quatro filmes do tal "Projeto Rebuild", cujo objetivo mais amplamente divulgado é o relançamento da série da forma como o autor (Hideaki Anno) "sempre quis", pelo menos no que diz respeito ao aspecto audio-visual da série! 

Não posso deixar de comentar o trabalho primoroso que a Paris Filmes realizou no lançamento! de Evangelion 1.11 - Você (Não) Está Só. O produto veio com uma "luva" (uma espécie de box, mas de qualidade bem superior ao que conhecemos no nosso mercado), o próprio DVD (caixinha e encarte + disco) e um poster lindão! Sem mencionar o menu, os extras, a qualidade gráfica etc. Tudo perfeito! E isso com certeza cativou os saudosos fãs da série, esmagadora maioria daqueles que compraram o dvd (ou o blu-ray).


E é com essa mesma qualidade (ou melhor, se possível!) que nós estamos esperando o segundo filme da franquia, Evangelion 2.22 - Você (Não) Pode Avançar. A Paris Filmes divulgou que em Fevereiro o filme já estaria nas locadoras brasileiras (alguém viu? eu não!) e, em Maio, estaria à venda! Ou seja, agora é esperar alguns dias para termos novidades sobre o lançamento! 

ATUALIZAÇÃO:
Segundo o Jbox, o lançamento de Evagelion 2.22 será no dia 15 de junho deste ano! Apesar de algum atraso (cerca de um mês), não foi algo tão absurdo... ainda mais considerando os infelizes eventos que assombraram recentemente o Japão. 

Outro título bem conhecido pela geração dos anos 90 e que em breve será lançado no mercado nacional é  o anime Sailor Moon! Maiores detalhes sobre o lançamento nacional vocês podem encontrar no Jbox, com direito até a entrevista com o dono da CD & DVD Factory, empresa responsável pela série em DVD no Brasil. O curioso aqui é que, devido a questões contratuais, será lançada a fase Sailor Moon S, a terceira temporada do anime, concluída com 38 episódios.

Já para os mais saudosistas, a FlashStar e/ou a Focus Filmes (empresas de um mesmo grupo controlador) devem lançar lá pela metade do ano os animes Fantomas e A Princesa e o Cavaleiro, tendo para o primeiro já confirmada a dublagem clássica da série! Veja mais na Entrevista com a Focus & FlashStar.  Ainda de acordo com a entrevista, Afonso Fucci, diretor de marketing das citadas empresas, confirma os animes Dinossauro Rei e Inazuma Eleven, além do interesse e atual (janeiro/11) negociação para a aquisição de Fairy Tail!

Se alguém souber de outro anime já anunciado e que não se encontra no post, deixem um comentário que  o adicionarei! Aguardo vocês no próximo "Otakus, o que vem por aí?".

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¹ O termo "otaku" está empregado como uma simplificação e agregação das pessoas que curtem anime, mangá, jogos orientais, jmusic e afins. Não se pretende fazer uso do significado pejorativo da palavra.

21.4.11

Inflação vs. Taxa de Juros: Onde vamos parar?

Na véspera do feriado da semana santa, o Banco Central do Brasil, em reunião do COPOM, decidiu aumentar a taxa básica de juros da economia (Taxa SELIC) em 0,25 pontos percentuais, elevando-a para 12% ao ano.

A justificativa é que "considerando o balanço de riscos para a inflação, o ritmo ainda incerto de moderação da atividade doméstica, bem como a complexidade que ora envolve o ambiente internacional, o Comitê entende que, neste momento, a implementação de ajustes das condições monetárias por um período suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta em 2012."

A inflação. O relatório Focus (realizado pelo próprio BC) do último dia 15/04 mostra que o mercado acredita que o nível de preços da economia só tende a subir. E isso se confirma nos resultados do IPCA, divulgados pelo IBGE. Segundo publicação do dia 07/04, a variação média de preços em março foi praticamente a mesma do mês anterior. Comparando com o mesmo período de 2010, houve um crescimento de mais de 50%!

Outro ponto a se destacar é que, apesar dos esforços recentes do Governo para controlar a inflação, a expectativa do mercado em relação à inflação continua a crescer. É verdade que a previsão para a inflação de 2012 é inferior a deste ano... mas o que se observa é uma tendência ascendente nos valores esperados.

O cenário interno. Aqui, temos um tripé formado pelos gastos do setor público, pelas despesas das famílias e pelo investimento. O primeiro não cabe às autoridades definir. O consumo das famílias, como vem sendo discutido desde 2010, é um dos componentes que segurou o crescimento brasileiro durante a crise de 2008. Entretanto, este consumo cresceu a tal ponto que está desestabilizando a economia... há mais pessoas querendo comprar que disponibilidade de produtos. Os grandes responsáveis foram a própria crise externa, por afetar a percepção e as expectativas nacionais, o barateamento do crédito à pessoa física (classe média) e a constante valorização real do salário-mínimo (classes D e E). E, por fim, o investimento... com a fuga de capitais entre 2008-09, o investimento nacional não avançou, deixando a oferta nacional de bens e serviços  do mesmo tamanho, apesar da demanda estar sempre crescendo, contribuindo para a trajetória crescente da inflação.

O dólar. Como dito anteriormente, a crise internacional recente foi caracterizada, no Brasil, pela fuga de capitais (nacionais e estrangeiros) para os EUA. Pode parecer contraditório, mas dada a situação, para os detentores de capitais, o país mais seguro para aplicarem suas reservas era aquele que iniciou todo o desastre! Mas passado o choque inicial, e frente ao bom desempenho do sistema financeiro brasileiro apesar da crise, o fluxo de capitais externos (não só dos EUA) se intensificou bastante pelas diversas vias, como compra de títulos do governo, ações de estatais, investimento direto e captação por parte dos bancos nacionais de recursos mais baratos*.

Somado a isso, durante o período da crise, o Brasil deveria ter sofrido uma forte desvalorização do Real, contudo, o BC utilizou de suas reservas de dólares "públicos" para manter uma taxa de câmbio aceitável, o que tornou o Brasil um país ainda mais atrativo como "porto seguro".

As consequências de nossa boa performance estão visíveis desde o segundo semestre do ano anterior, quando se começou a elevar as alíquotas do IOF - imposto que incide sobre as operações financeiras - para transações externas. Isto é, há muito capital disponível no Brasil, o que pressiona a demanda por bens, serviços e ativos de forma geral. Isso, por conseguinte, pressiona a inflação para cima.

COMENTÁRIOS
As autoridades monetária e fiscal estão subestimando o mercado. Esta é a minha visão dos acontecimentos recentes. Mudanças pequenas e já incorporadas à percepção dos agentes de nada adiantarão para alterar o quadro em que a economia brasileira se encontra. Até agora, as medidas de reforço macroprudenciais foram as únicas que podem vir a servir como um colchão, mas dada a magnitude dos efeitos da inflação, da taxa de juros e da taxa de desemprego vigentes, esse amortecedor não surtirá efeito.

Na minha visão do Brasil, eu sugeriria uma política mais discricionária, isto é, focalizando em cada setor específico determina ação. No caso dos juros, não acredito que a elevação da Selic e, consequentemente, das taxas de juros cobradas em empréstimos e financiamentos, vá limitar a expansão da demanda (consumista) interna. O boom do consumo das famílias está concentrado na dita "nova classe média", onde o crediário (seja por cartão de crédito, cheques ou carnê das lojas) é a principal fonte de "renda". Para essas famílias, e para aquelas que ainda estão chegando nessa classe, não importa quanto de juros está sendo pago, o que vale é se a parcela cabe no orçamento. Se antes o financiamento era em 5 ou 6 meses, agora as famílias ficarão endividadas por um período mais longo, de 10 a 12 meses, por exemplo.

Como comentei lá em cima no "cenário interno", o problema é como atender a essa demanda antes reprimida, mas que agora cria um ambiente inflacionário! O Investimento, apesar de ser considerado parte da "demanda agregada", é a solução para a expansão da oferta e, segundo a teoria econômica, para o desenvolvimento sustentado da economia. A questão é que o investimento é muito, mas muito mais sensível à taxa de juros, e essa política de gradual elevação da Selic vai minando a possibilidade de mais investimentos, perpetuando a pressão inflacionária do lado da demanda das famílias.

O real valorizado de certo prejuducará às exportações e, no sentido contrário, favorecerá às importações. Por um lado, teríamos um aumento, mesmo que temporário, na oferta interna provocado pela entrada de produtos importados e pelo "desvio" de parcela daquilo que seria exportado. E isso poderia nos ajudar a reduzir o impacto da inflação. Uma moeda forte também possibilitaria as indústrias importarem bens de capital e se financiarem externamente, lembrando que as taxas de juros externas encontram-se abaixo do equilíbrio. No médio prazo, as forças do próprio mercado se encarregariam de encontrar um ponto ótimo na balança comercial (caso contrário, o governo possui as armas necessárias para contornar o déficit comercial).

Então... o que fazer? Acredito que uma política "curta e grossa" seria mais eficiente e eficaz no combate aos males que aflinge ao Brasil. Medidas "nas pontas" (voltadas para cada público específico) são minhas opções.

Afinal, como as coisas estão sendo levadas, parece que o responsável pelas políticas "anticíclicas" é o próprio mercado.

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* Este último canal vale uma maior atenção. A falta de solvência internacional gerada pela crise fez com que os países em geral reduzissem suas taxas de juros a níveis ínfimos, de modo que a remuneração dos capitais fosse baixíssima. Nesse cenário, o Brasil tornou-se (mais uma vez) o país com a maior taxa de juros real do planeta! Só que, dessa vez, com aspectos macroeconômicos mais consolidados e reconhecidos mundialmente. Assim, os bancos sediados no Brasil puderam captar recursos pagando baixas taxas de juros e emprestá-los - ou apenas aplicá-los - a uma taxa muito superior, elevando o já elevado spread bancário. E isso, per se, leva a arbitragem dos demais agentes econômicos.